XVI Congresso de
Pneumologia e Tisiologia do
Estado do Rio de Janeiro


28 a 30 de setembro de 2017
Centro de Convenções SulAmérica
Rio de Janeiro| RJ

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TUBERCULOSE - RENOVADO DESAFIO NO RIO DE JANEIRO

 

Em 2015, a TB passou a ser uma das 10 principais causas de morte em todo o mundo e a maior causa de mortalidade entre as doenças infecciosas, superando a infecção por HIV1. Cerca de 10,4 milhões de pessoas ficaram doentes com TB e 17,3% morreram da doença (incluindo 3,8% entre pessoas com HIV). Estima-se que 480.000 pessoas apresentaram TB multirresistente (TB-MDR). Em 2015, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a cura foi relatada nos casos de TB, TB-MDR respectivamente em 83% e 52%1.

 

No Brasil, em 2015, 79,605 foram notificados com TB ativa, e 5,7% morreram de TB. As maiores taxas de mortalidade por 100.000 habitantes foram relatadas nos estados do Rio de Janeiro, Pernambuco, Amazonas e Rio Grande do Sul, respectivamente, 5,0; 4,5; 3,2; e 2,5.2

 

Em 2006, no Plano Global STOP TB/OMS, considerou-se essencial o fortalecimento do sistema de saúde (focando na descentralização das ações de controle de TB para a atenção primária) e a adoção do tratamento supervisionado visando aumentar a proporção de diagnóstico confirmado e da efetividade do tratamento de casos de TB3. Nos anos seguintes, observou-se um aumento na proporção de sucesso do tratamento anti-TB (acima de 80%) em países com alta cobertura de tratamento supervisionado (acima de 90%).

 

No Brasil, o tratamento supervisionado tem sido de 36,4%, sendo menor nos estados do Rio Grande do Sul (17,2%), Amazonas (20,5%) e no Rio de Janeiro (35,7%). A proporção de cura não ultrapassa 72%, sendo menor nos estados do Rio Grande do Sul (63,4%), Ceará (64,0%), Bahia (67,8%) e Rio de Janeiro (70,6%)2

 

Em nível global, a queda anual da incidência de TB manteve-se baixa (1,5%). A adoção das estratégias propostas no Plano Global STOP TB/OMS não resultou no aumento do acesso e detecção de casos de TB, principalmente, em pacientes residentes em grandes centros urbanos, portadores de TB resistente, em populações vulneráveis ou em pacientes com co-morbidades.4,5,6,7,8 A OMS passou a reconhecer que as ações de controle de TB devem cobrir a cascata de ações que inclua o controle de transmissão local, a investigação de triagem e diagnóstica da TB ativa e TB latente, seguida de seu tratamento antimicrobiano, incorporando abordagens biomédicas8,9,10,11,12, biopsicosociais7,13 e que fortaleçam a proteção social.25,26

 

Em pesquisas realizadas no Rio de Janeiro, mesmo com a participação de gestores da saúde e da academia, os resultados obtidos nas pesquisas não têm sido incorporados na rotina do sistema de saúde vigente, quando as pesquisas são finalizadas.15,16,17,18,19

 

Além disso, em nosso meio, os resultados favoráveis na descentralização das ações de controle de TB para atenção primária têm sido descritos, por meio de dados secundários, em nível nacional.20 Mas, recentemente, em estudo realizado no município do Rio de Janeiro21 e em outros municípios do país, tais resultados não tem sido confirmados.22,23,24

 

Recentemente, em nível nacional, observou-se maior queda na incidência da TB e maior proporção de tratamento completo de TB ativa em municípios com alta cobertura de bolsa família, mesmo em locais com elevada proporção de tratamento supervisionado ou cobertura da Estratégia de Saúde da Família.24,26 Tais resultados se confirmados, corroboram a importância da adoção do Pilar 2 (proteção social) em conjunto com o Pilar 1 (cuidados integrados e centrados no pacientes) e o Pilar 3 (pesquisa e inovação) para a eliminação da TB, conforme proposto pela OMS, pelo PNCT-SVS-MS e pela Agenda Nacional de Pesquisa em TB elaborado no Brasil em 2015.27

 

Pelo acima exposto, no Rio de Janeiro, no intuito de convergir esforços e responder às prioridades do Programa Nacional de Controle de TB do Ministério da Saúde2, a Rede TB tem tem proposto o fortalecimento e/ou criação de centros de excelência em TB, que atuem como áreas de demonstração para o Plano Nacional de Eliminação de Tuberculose. Estes Centros de Excelência devem priorizar a Pesquisa Operacional além da obtenção de bons indicadores epidemiológicos (proporção de suspeitos de TB e TB resistente investigados acima de 90%, abandono de tratamento de TB ativa e TB resistente abaixo de 5%, proporção de contatos de TB e TB resistente avaliados que iniciem tratamento da TB latente acima de 90%) e indicadores locais de processo (atendimento multiprofissional, também a adoção de mecanismos de proteção social, estratégias específicas para populações vulneráveis e/ou portadores de co-morbidades, análise do impacto clínico e orçamentário da incorporação de novas tecnologias, novos medicamentos/vacinas ou estratégias de gestão.

Afrânio Lineu Kritski.
Professor Titular em Tisiologia e Pneumologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro

 

Referências
1. World Health Organization. WHO; 2016. 2.http://portalarquivos.saude.gov.br/images/pdf/2017.3. STOP TB Partnership. Geneva: WHO; 2006. 4. Bulletin of the World Health Organisation. 2000; 78(1):3-18. 5. WHO. http://www.who.int/tb/areas-of-work/population-groups/en/ 6. WHO. http://apps.who.int/iris/bitstream/10665/204484/1/9789241510226_eng.pdf?ua=1 7. Int J Tuberc Lung Dis 2017, 1;21(8):852-861. doi: 10.5588/ijtld.16.0584. 8. Lancet Diabetes Endocrinol. 2014 Sep;2(9):730-9. doi: 10.1016/S2213-8587(14)70109-3. 9. Lancet Infect Dis. 2016 Nov;16(11):1269-1278. doi: 10.1016/S1473-3099(16)30216-X. Epub 2016 Aug 10. 10. WHO. http://apps.who.int/iris/bitstream/10665/204484/1/9789241510226_eng.pdf?ua=1 11. http://www.stoptb.org/assets/documents/resources/publications/technical/tbresearchroadmap.pdf,accessed 4 January 2017. 12. PLoS One. 2016 Jun 10;11(6):e0155348. doi: 10.1371/journal.pone.0155348. 13. Lancet. 2015 Dec 5;386(10010):2354-62. doi: 10.1016/S0140-6736(15)00324-4 14. Lancet. 2007 Feb 24;369(9562):691-6. 15. Int J Tuberc Lung Dis. 2010 Feb;14(2):203-9. 16. Rev Panam Salud Publica. 2012 Dec;32(6):451-6. 17. Clin Infect Dis. 2015 Feb 15;60(4):639-45. doi: 10.1093/cid/ciu849. Epub 2014 Nov 2. 18. PLoS One. 2015 Jun 5;10(6):e0127588. doi: 10.1371/journal.pone.0127588. eCollection 2015. 19. J Hosp Infect. 2011 Feb;77(2):178-9. Epub 2010 Dec 20. Rev Panam Salud Publica. 2016; 39 (1):3-11. 21. Cien Saude Colet. 2016 May;21(5):1491-8. doi: 10.1590/1413-81232015215.03912016. 22. BMC Health Services Research 2011; 11:241. 23. Revista de Saúde Pública, 2009; 43 (3): 389–397. 24. Cienc Saude Coletiva. 2015;20(12):3877–89. 25. Trans R Soc Trop Med Hyg. 2016;110(3):199–206. 26. Tese (Doutorado em Saúde Coletiva) - Instituto de Saúde Coletiva, Universidade Federal da Bahia, Salvador. 2016. 27. Revista Brasileira de Medicina Tropical 2016, 49 (1): 135-145. doi: 10.1590/0037-8682-0330-2015

 

 

 

 

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